Bel Borba faz exposição conjunta com artista portuguesa Helena Cardoso em Salvador

O artista plástico baiano Bel Borba e a portuguesa Helena Cardoso realizam uma exposição conjunta, desta sexta-feira (15) até o dia 24 de junho, no foyer do Teatro Castro Alves, como parte da programação do projeto “Bahia-Portugal: Pontos que nos unem”, promovido pelo Consulado Português na Bahia e a Cátedra Fidelino Figueiredo. A abertura da mostra acontecerá no dia 15, às 16h30, com um coquetel fechado para convidados, que terá a presença dos artistas, além do mbaixador de Portugal no Brasil, Jorge Dias Cabral; a Cônsul-geral de Portugal na Bahia, Nathalie Viegas; e outras autoridades. “A primeira coisa que me ocorreu, quando fui convidado pela cônsul Nathalie Viegas, foi fazer um trabalho onde eu ilustrasse em cada obra laços comuns entre essas duas culturas. Decidi que a coleção apresentada seria uma abordagem visual sobre um avanço na direção do futuro”, contou Bel Borba.

SOBRE
Nascido em Salvador (BA), em 1957, Bel Borba é pintor, desenhista, gravador, escultor, muralista de “cerâmica e mosaicos”, performista e intervencionista urbano. Com exposições na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros estados brasileiros, assim como em Nova Iorque, Alemanha, Suíça e Espanha.

PARA ALÉM DOS TEMPOS
“Um dos momentos mais gratificantes da minha vida é quando estou a escolher o caminho a seguir, ou um tema de uma nova coleção. Para mim, é uma honra ter sido convidado a preparar uma exposição para homenagear o dia de Portugal. A primeira coisa que me ocorreu, quando fui convidado pela Sra. Cônsul Nathalie Viegas, foi fazer um trabalho onde eu ilustrasse em cada obra laços comuns entre essas duas culturas. Decidi que a coleção apresentada seria uma abordagem visual sobre um avanço na direção do futuro.

Eu quero, com essa coleção, fazer uma superposição de técnica, linguagem, confronto de estruturas, absurdas intervenções na arquitetura, contrastes de natureza e que isso represente um passeio pela sensação de futuro, sem abrir mão do passado. E que seja um retrato sensível e crítico do presente.”

BAHIA-PORTUGAL: PONTOS QUE NOS UNEM – BEL BORBA

O Consulado Geral de Portugal na Bahia e a Cátedra Fidelino de Figueiredo – Instituto Camões / UNEB, no âmbito das comemorações culturais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, ao conceberem um projeto multicultural que envolve Literatura, Artes Plásticas e Música, intitulado BAHIA – PORTUGAL: PONTOS QUE NOS UNEM, convidaram o artista plástico baiano Bel Borba para expor juntamente com a artista plástica portuguesa Helena Cardoso, trabalhos executados especialmente para este evento no foyer do Teatro Castro Alves. Nesse intento, Bel Borba criou varias obras para o diálogo proposto, com o olhar para o futuro sem abrir mão do passado que une nossa bela “Capital da América Portuguêsa” com a sua matriz lusitana.

Estudante de Direito por dois anos, abandonou o curso quando descobriu sua vocação artística para ingressar em 1976 na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, tendo iniciado seu trabalho artístico com a técnica da aerografia, dedicando-se a ela por muitos anos. Com o tempo, passou a experimentar diversas técnicas, materiais e linguagens artísticas, inclusive trabalhando com reciclagem de materiais, como plásticos de barreiras de trânsito descartadas, madeira de demolição, ou quando usou os destroços de concreto armado do estádio da Fonte Nova para criar esculturas, seu pretexto era apropriar- e de um material inusitado e se inspirar por meio de suas memórias. “Acho que o segredo é nunca ficar parado. Eu estou sempre criando, criando.”

Bel Borba é um talentoso artista plástico multifacetado, soteropolitano nascido em janeiro de 1957, reconhecido internacionalmente como desenhista, pintor, escultor e gravador, dentre outras tantas linguagens, com obras em madeira, aço, concreto, cerâmica, azulejo e plástico, famoso por grandes intervenções públicas urbanas, especialmente na cidade do Salvador, com a técnica do painel em mosaico.

Assim ele define o seu pluralismo: “É normal que em uma mesma exposição eu siga por dois caminhos diferentes e essa é uma característica minha e que se reflete na minha obra. Então eu tiro partido disso, porque no mercado e nos circuitos tradicionais de arte existe a expectativa de que o artista se mantenha numa linha e isso para mim é uma coisa de extrema dificuldade.”

Seus trabahos podem ser vistos em mosaicos cerâmicos recobrindo pedras, árvores, postes, túneis, muros e encostas, ou gradis em avenidas como Contorno e Vasco da Gama, ou nos bairros de Ondina, Rio Vermelho, Amaralina, Boca do Rio, Horto Florestal, Retiro, Candeal, onde se vê uma serpente em aço inoxidável, e no Largo de Roma onde se encontra uma escultura em homenagem a Irmã Dulce, ou outra em homenagem a Ayrton Senna, numa rótula do Circuito que leva o seu nome no Centro Administrativo da Bahia. Bel Borba costuma dizer “o meu trabalho é a minha trajetória dentro das cidades e não está isolado em uma escultura, coleção ou exposição. Na Bahia tudo acontece muito na rua, não é prerrogativa minha usar esse espaço, mas é uma inspiração”.

Possui importantes obras, também, no município de Lauro de Freitas, na Praça Beira Mar e Praça das Artes e na lateral de proteção da ponte sobre o rio Joanes, e já produziu intervenções artísticas em São Paulo, com esculturas gigantes confeccionadas de plástico, expostas em 2015 no Parque do Ibirapuera, dispostas no pátio em frente ao Museu Afro Brasil. Em 2012, sob curadoria de Burt Sun, participou de 30 dias de intervenções artísticas pelas ruas de New York/USA e teve o seu trabalho exibido em telões na Times Square. Extremamente original e criativo, sempre desafiando o óbvio, certa vez declarou que “tudo aquilo que eu apresento ao longo dos anos, quer seja na rua, quer seja no museu, é resultado da transformação os materiais que vão cruzando o meu caminho”.